Embora o Brasil tenha avançado na reciclagem de plásticos nos últimos anos, os números ainda ficam bem abaixo dos níveis observados na Europa. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o índice de reciclagem mecânica de plástico pós-consumo no Brasil foi de cerca de 25,6% em 2022, um pico histórico, e ficou em 21% em 2024 após oscilações no setor, incluindo uma retração em 2023 e recuperação parcial em 2024. Esses índices consideram apenas a reciclagem mecânica, que é a maior parte do processo industrial de reaproveitamento do material.
Em contraste, dados de estatísticas oficiais da União Europeia mostram que vários países europeus atingem taxas de reciclagem de embalagens plásticas entre 60% e 80% ou mais; países como Bélgica, Holanda e Itália reportaram níveis próximos ou acima de 70% no ciclo de reciclagem de embalagens.
Essa diferença se explica por vários fatores estruturais. No Brasil, muitos municípios ainda não têm programas consolidados de coleta seletiva e logística reversa, o que limita o volume de material reciclável coletado e encaminhado para indústrias recicladoras. Estudos internacionais indicam que uma parcela significativa da população não separa resíduos na origem, e que o acesso à coleta seletiva organizada é baixo em muitas regiões.
Além disso, a infraestrutura de reciclagem industrial europeia tende a ser mais integrada e tecnologicamente avançada, com sistemas mais eficientes de triagem, processamento e reutilização de material. A legislação europeia também impõe metas de reciclagem mais ambiciosas e com mecanismos de acompanhamento mais rígidos.
Para superar essa lacuna, o Brasil pode avançar em três frentes principais: expandir e melhorar a coleta seletiva em nível municipal, incentivar tecnologias industriais que aumentem a eficiência e a qualidade do material reciclado, e adotar políticas públicas com metas claras de reciclagem e incentivos econômicos para atores da cadeia. Essas ações não apenas acelerariam o aumento da taxa de reciclagem, como também fortaleceriam o mercado de resinas recicladas pós-consumo (PCR), criando oportunidades econômicas e ambientais concretas.












